Nestas últimas semanas a liturgia nos está brindando com textos evangélicos muito ricos e sugestivos que nos apresentam Jesus a caminho de Jerusalém, onde sabe que deverá ser rejeitado, enfrentar o sofrimento e a morte, mas ciente que o Pai o ressuscitará para a salvação do mundo.
Jesus depois de ter sido rejeitado pelos samaritanos, ensinado como segui-lo, enviado os setenta e dois em missão, escutado suas experiências, bendiz a Deus por ter revelado os mistérios do Reino aos pequeninos.
Depois disso, Jesus é abordado por um especialista da lei que lhe faz uma pergunta importante: “Mestre, que devo fazer para entrar na vida eterna?” Ao que Jesus responde com outra pergunta: “O que está escrito na lei?”
O especialista em leis responde sabia e acertadamente: “Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com todo o teu entendimento; e o teu próximo como a ti mesmo”. Efetivamente, esses dois mandamentos, do amor a Deus e ao próximo, são a alma das mais de seiscentos leis dos judeus. Por isso Jesus vendo que respondeu corretamente lhe diz: “faze isto e viverás”.
Mas o mestre da lei meio que querendo se justificar pergunta: “mas quem é o meu próximo?”
Jesus responde com essa simples e genial narrativa do bom samaritano: Um certo homem descia de Jerusalém a Jericó e foi barrado por assaltantes que o deixaram meio morto. Passando por ali um sacerdote e um levita, funcionários do culto, seguiram adiante sem prestar socorro. Quem ao invés o socorre é um samaritano que vendo o homem na necessidade chegou junto dele e encheu-se de compaixão. Aproximou-se, cuidou de suas chagas, derramando óleo e vinho. Depois colocou-o no seu próprio animal, conduziu-o a hospedaria e dispensou-lhe cuidados. Como se não bastasse, no dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro pedindo de cuidar dele e que no regresso se precisasse pagaria a diferença.
Jesus pergunta ao especialista em lei: “Na tua opinião quem foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” Não precisava de muito esforço para reconhecer que foi o que tivera misericórdia para com ele. Ao que Jesus lhe diz: “vai, e também tu, faze o mesmo”.
Essa parábola é sempre muito oportuna e de uma riqueza muito grande para nos ajudar a passar da teoria á pratica, a compreender o que significa amar a Deus e os irmãos.
Jesus mesmo praticou essa narrativa e continua praticando-a na condição de ressuscitado. Ele vê os caídos do caminho, se aproxima, cuida das suas feridas, cura-os e paga por eles se for necessário. Esse é o jeito de Jesus.
Se queremos ser discípulos fiéis de Jesus precisamos assimilar esse seu jeito. E o fazemos na medida que conseguimos ver o nosso irmão na necessidade, que sentimos compaixão dele e o socorremos, segundo as nossas possibilidades, fazendo tudo o que está ao nosso alcance.
Fazemos tudo o que está ao nosso alcance e sempre? Não é muito comum entre nós confessarmos nossos pecados de omissão. Mas se fosse possível rever o filme de nossa vida, creio que ficaríamos apavorados com a montanha da nossa omissão.
O samaritano, discriminado e considerado fora da graça de Deus pelos judeus, se revela pelas suas atitudes, pela sua prática, muito mais próximo do projeto de Deus que os conhecedores e especialistas da lei. Isso deve nos fazer pensar e ficar atentos, vigilantes. Lembram aquela outra parábola do pobre Lazzaro e do rico epulão?
Se queremos ser verdadeiros discípulos missionários de Jesus, precisamos refletir esse jeito prático de amar do nosso mestre Jesus.
Isso colocado, deixo que cada um responda pessoalmente à pergunta-titulo que convém fazer-nos de vez em quando: “O que devo fazer para entrar na vida eterna?” Parece que não tem como fugir. O único caminho que leva para lá é o da caridade, entendida como amor solidário, capacidade de compaixão.
Desejo a todos uma semana muito abençoada.
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